Tirar o pai da forca
"Agir com pressa desesperada, afobação extrema e correria exagerada como se uma emergência de vida ou morte estivesse acontecendo."
Origem Histórica e De Onde Surgiu
A expressão tem sua origem dramática e jurídica no direito penal monárquico de Portugal e do Brasil Colonial sob as rigorosas **Ordenações Filipinas** (séculos XVI a XVIII).
A mecânica dos julgamentos capitais e indultos reais:
• A pena de morte por enforcamento em praça pública era a punição padrão aplicada pela Coroa aos crimes graves de traição, latrocínio e rebelião.
• A única autoridade com poder supremo de anular a execução na última hora era o Rei de Portugal, através de uma "Carta Régia de Indulto e Perdão".
• Se um filho conseguisse uma audiência de emergência com o monarca ou o Governador-Geral e obtivesse o perdão régio minutos antes do horário marcado para a execução na forca pública, ele precisava montar no cavalo mais veloz e galopar desesperadamente pelas ruas da cidade, esgotando o animal na correria para chegar à praça antes que o carrasco abrisse o alçapão da forca.
Correr como se estivesse indo "tirar o pai da forca" tornou-se a representação máxima da afobação desmedida e da urgência.
Como e Quando Usar no Dia a Dia
Empregada em tom irônico para repreender pessoas que comem rápido demais, dirigem em velocidade perigosa ou cobram respostas com afobação desnecessária.
Diálogo 1:
— Mastigue devagar a comida, menino! Parece que está indo tirar o pai da forca!
Diálogo 2:
— Por que você está correndo desse jeito no corredor da empresa? Não estamos indo tirar o pai da forca, a reunião só começa em dez minutos.
Curiosidades e Variações Culturais
• O Ritual da Forca: No Rio de Janeiro colonial, as execuções por forca aconteciam no Largo da Forca (atual Praça Tiradentes), onde multidões se aglomeravam para assistir aos desfechos dos condenados.
• Equivalentes no Mundo: Em espanhol: "Correr como alma que lleva el diablo". Em francês: "Courir comme si le feu y était" (correr como se estivesse pegando fogo). Em inglês: "Run like there's no tomorrow" ou "Like a bat out of hell".
Fontes Históricas & Obras de Referência Consultadas:
- ORDENAÇÕES FILIPINAS. Livro V: Das Penas e Crimes do Reino. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985.
- CASCUDO, Luís da Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 1986.
- HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
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