Fazer nas coxas
"Fazer um trabalho de forma tosca, desleixada, improvisada, sem padrão de qualidade ou de acabamento grosseiro."
Origem Histórica e De Onde Surgiu
Esta controversa e famosa locução possui uma conhecida lenda popular do período colonial brasileiro que tem sido debatida e esclarecida por arquitetos e historiadores contemporâneos.
A lenda popular clássica:
• Conta a tradição oral que, nos séculos XVIII e XIX nas fazendas coloniais, os escravizados moldavam manualmente as telhas curvas de barro molhado (telhas coloniais tipo canal) sobre as próprias coxas antes de levá-las aos fornos de queima.
• Como as pessoas tinham estaturas e coxas de tamanhos e larguras diferentes, as telhas ficavam desiguais, tortas e não se encaixavam perfeitamente no telhado das casas senhoriais, gerando goteiras e desalinhamento.
A visão da historiografia e da arquitetura moderna:
• Pesquisadores e arquitetos (como Paulo Garcez e especialistas em restauração de patrimônio histórico do IPHAN) apontam que moldar telhas de argila pesada sobre as pernas humanas seria inviável ergonomicamente e causaria queimaduras e lesões graves aos trabalhadores, além de a argila molhada exigir formas de madeira (*moldes e fieiras*) para secagem.
• Historiadores apontam que a expressão tem na verdade conotação erótica e coloquial (originada de atos sexuais apressados e incompletos feitos "nas coxas" sem cama ou preparo), migrando posteriormente para a metáfora do trabalho feito às pressas e de qualquer jeito.
Como e Quando Usar no Dia a Dia
Empregada em críticas a reformas malfeitas, softwares cheios de bugs ou redações escolares entregues de última hora.
Diálogo 1:
— A pintura da parede ficou toda manchada e com tinta escorrida; claramente o pedreiro fez o serviço nas coxas!
Diálogo 2:
— Não entregue um relatório feito nas coxas para a diretoria; revise cada gráfico com atenção.
Curiosidades e Variações Culturais
• Telhas Coloniais Preservadas: As telhas coloniais originais de cidades históricas como Paraty e Ouro Preto possuem marcas de dedos e estrias que comprovam o alisamento manual dos artesãos sobre formas côncavas de madeira.
• Equivalentes no Mundo: Em inglês: "Half-assed job" ou "Shoddy work". Em espanhol: "Hecho a la chapuza" ou "A las carreras". Em francês: "Fait par-dessus la jambe" (feito por cima da perna).
Fontes Históricas & Obras de Referência Consultadas:
- GARCEZ, Paulo. Mitos da Arquitetura Colonial Brasileira. São Paulo: Edusp, 2008.
- CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2012.
- HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
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