Puxar saco
"Bajular excessivamente alguém de hierarquia superior por interesse pessoal, vaidade ou desejo de obter privilégios e promoções."
Origem Histórica e De Onde Surgiu
Esta genuína gíria brasileira nasceu no ambiente militar do **Exército Brasileiro** nas primeiras décadas da República Velha (entre 1890 e 1920).
A rotina dos quartéis da época:
• Durante os deslocamentos de regimentos militares e marchas para manobras de campanha pelo interior do país, os oficiais de alta patente (como generais, coronéis e majores) tinham suas roupas de gala, fardamentos limpos e pertences pessoais acomodados em grandes e pesados sacos de lona impermeável.
• Não era função regulamentar dos soldados comuns carregar a bagagem íntima dos seus superiores.
• No entanto, soldados de menor graduação que buscavam ser dispensados da guarda noturna, evitar punições rigorosas na faxina do quartel ou conseguir promoções por apadrinhamento ofereciam-se servilmente para carregar e arrastar os pesados sacos dos comandantes.
• Os demais soldados do pelotão, indignados com a atitude servil e bajuladora dos colegas interesseiros, apelidaram-nos com deboche de **"puxa-sacos"**.
Com o tempo, o termo saiu dos quartéis e disseminou-se por todo o vocabulário corporativo e social do país.
Como e Quando Usar no Dia a Dia
Empregada cotidianamente para desqualificar bajuladores em empresas, repartições públicas e escolas.
Diálogo 1:
— Aquele funcionário não entende nada da operação técnica, mas vive puxando o saco do diretor para ganhar uma promoção.
Diálogo 2:
— Seja reconhecido pelo seu talento e competência profissional, e não por ficar puxando saco de chefe!
Curiosidades e Variações Culturais
• O Livro do Puxa-Saco: Na década de 1950, o humorista Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) popularizou diversas crônicas satíricas sobre os tipos mais bizarros de puxa-sacos da burocracia do Rio de Janeiro.
• Equivalentes no Mundo: Em inglês americano e britânico: "Brown-noser", "Bootlicker" (lambe-botas) ou "Yes-man". Em espanhol: "Chupamedias" (na Argentina) ou "Pelota / Adulador". Em francês: "Lèche-bottes".
Fontes Históricas & Obras de Referência Consultadas:
- CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2012.
- PONTE PRETA, Stanislaw. Febeapá: Festival de Besteira que Assola o País. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1966.
- HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
Debates e Comentários (0)